sábado, 19 de fevereiro de 2011

Reflexões de uma noite de verão...

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância.
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado"
William Shakespeare, Sonhos de uma noite de Verão.


No post anterior eu estava em busca da "minha inspiração perdida". Eu poderia dizer aqui que a encontrei, mas na verdade ela não se perdeu, eu que tentei buscá-la no local errado.
E com essa descoberta, vieram tantas outras, tantas reflexões que me tiraram o sono e impediram que meu título fizesse total alusão a William Shakespeare (ou quem sabe até ao Skank: http://letras.terra.com.br/skank/1330911/).

Outro dia, olhando para o céu todo estrelado, lembrei-me da divisão de estrelas que certa vez fizera com alguém, eu sempre escolhia as que brilhavam mais, por isso acabei ficando com as estrelas presentes no olhar do outro, que eram repletas de sentimentos e tinham um brilho indescristível. Já que as minhas estrelas são as que vejo refletir nos olhares perdidos, tenho pra mim muito mais estrelas do que existem no céu.
Dividi com esse alguém estrelas, pensamentos, sentimentos, sonhos e delírios - é sempre bom ter alguém com quem dividir loucuras e sensatez. Agora, porém, o contato e a relação sofreram modificações, fazendo com que eu pensasse que havia perdido minha inspiração.
Contudo, o afastamento, a distância emocional não impedem a inspiração de existir. Alguns diriam que a ausência de contato faria com que minhas reflexões fossem sempre voltadas ao passado. Eu digo, entretanto, que quando o envolvimento é intenso, criam-se marcas nas pessoas. Marcas estas que me fazem saber muito a respeito dos pensamentos que se passam por mentes outrora próximas. Sendo assim, minhas reflexões têm um pouco de todos que um dia se aproximaram intensamente de mim.

Minha maior descoberta, porém, foi a de que SE EU VIVO, NÃO ESCREVO. E, SE AGORA ESCREVO, É PORQUE NÃO TENHO VIVIDO. Em meus momentos de reflexão no twitter (@janainatunussi), disse que "Minha escrita são meus desejos, meus sonhos materializados em palavras... Minhas palavras agora são todas você" e isso explica muito a minha ideia de "ausência de inspiração": não tenho escrito, não tenho falado de sentimentos, porque eu tenho vivido tudo isso e viVENDO tudo isso, sinto-me de mãos atadas para a escrita, pois de dentro de um turbilhão dificilmente se consegue refletir sobre o mundo que nos espera do lado de fora.
(mas se nesse momento escrevo, é porque consegui fazer uma pausa em toda essa "vivência").

Minha inspiração foi recuperada da seguinte forma: percebi que o aquilo que me inspirava ainda vive em mim, ainda se faz presente na minha vida, e que o simples fato de saber que o pilar em que apoiei minhas reflexões ainda existe, mesmo que distante, faz com que eu me sinta viva. E mais uma vez Shakespeare ilustrou bem isso:

~ Soneto 17 ~

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.


A reflexão máxima que tiro disso tudo? Nem sempre a pessoa com a qual dividimos todos os nossos pensamentos é a pessoa com a qual devemos dividir as nossas vidas.




P.S.: Temos nossas culpas, nossos medos, nossos segredos... e o que eu escondo de mim e dos outros é você.


sábado, 22 de janeiro de 2011

Quem roubou minha inspiração?

Cada brilho das estrelas, cada olhar vago na rua
Cada suspiro de ausência da pessoa amada
Cada gota de chuva molhada...
Tudo isso me fazia escrever.

Agora me vejo aqui, numa nova realidade e sem nada pra partilhar, sem ideias mirabolantes para dividir com quem ainda perde tempo lendo palavras soltas e "vazias".
Será que o excesso de acontecimentos bloqueou meu pensamento? Será que ainda não consegui processar em minha mente todas essas novas informações?
Creio que, na verdade, isso seja culpa sua da minha mente que insiste em querer ficar longe, pensando em você sei lá o que.
Eu fiz tantos planos, sonhei tantos sonhos diferentes e evitei me envolver. E, do dia pra noite, vejo que toda a minha inspiração ficou perdida num canto da vida e uma onda simplesmente a levou.

Menino-moço, só queria poder olhar pro céu, numa noite de claridão, e ver que o que mais brilha é o meu coração... e quem sabe assim, a noite se faça dia e o verde da esperança traga de volta minha alegria.

Eu quero voltar a escrever, mesmo sabendo que minhas palavras se transformaram em vontade de ter, de ser, de crescer. Ainda quero expor em palavras e não só em ações. Ainda sonho em ser poeta que grita, mesmo sabendo que os poetas do silêncio são melhores compreendidos. Ainda quero acreditar que o que eu escrevo e você nunca lê vai tocar alguém tão distante 374km mais precisamente. Assim, quando nossos olhares se focarem na mesma imagem exposta no céu, poderemos sentir que as almas construiram um ponto único (a lua), no qual podem se encontrar.

Quem sabe aí, você devolve a minha inspiração...


Coloquei aqui o mapa, para que um amigo meu possa buscar minha inspiração e trazê-la até qui!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Retrospectiva 2010 - Minha vida em pedaços

Sei que esse texto deveria ter aparecido uns dias antes, mas estive ocupada, viVENDO a Vida!

Cabe aqui uma pequena retrospectiva sobre os acontecimentos que me "afetaram" esse ano.
2010 foi um ano de transição na minha vida... Iniciou-se de forma inesperada e terminou com mais imprevistos ainda.
Fiz promessas e fiz planos pra esse 2010... a maioria se cumpriu, os pouquíssimos que ficaram de lado, na verdade só precisam de um pouquinho de tempo para se tornarem realidade.
Foi difícil pensar numa retrospectiva de um ano tão INTENSO! Acho que vivi coisas magníficas e que um turbilhão passou por mim, me deixando totalmente perdida... Enfim, no finalzinho do ano, acho que me achei.

Partes da minha vida modificadas por inteiro, minha vida inteira modificada em partes... E na mente vazia e distante, algumas recordações que escapam do turbilhão de emoções e acontecimentos:

Tracei metas... metas de vida, metas de sorrisos, de beijos e de abraços que eu distribuiria aos que tão próximo de mim chegassem;
Deixei-me apaixonar... pela vida, por pessoas ótimas, por pessoas péssimas, por momentos únicos, pela minha profissão, por aqueles com os quais convivi. Apaixonei-me por mim e olhei para dentro de mim;
Chorei... de alegria e de tristeza diante de tantas mudanças;
Mudei... fisicamente (emagrecendo), espiritualmente (questionando), mentalmente (inovando nas ideias e nos planos), emocionalmente (me libertando e expondo parte dos meus sentimentos);
Cresci... não de estatura, mas de pensamento;
Sonhei... sonhei com um mundo novo, acordei num mundo louco;
Fiz planos... fiz planos ao lado de pessoas, fiz planos ao meu lado, fiz planos de ser feliz;
Alcancei... meus objetivos principais (o concurso está aí pra provar), meus desejinhos secundários e parte dos objetivos mais secretos que nem mesmo pra mim mesma eu contaria;
Amei... pessoas que me amaram, pessoas que odiaram, pessoas que nem ligaram para tudo o que eu senti;
Errei... sempre, com insistência;
Superei... as dores, as crises, as mudanças e os desejos;
Comecei o ano ao lado de algumas pessoas que eu nem conhecia, terminei o ano ao lado de pessoas que eu nem sabia que existiam.

Ao final, vi um turbilhão passar por mim e, mesmo dentro dele, resisti! Ainda não o superei, mas aprendi a me manter viva dentro dele, aproveitando cada vento, cada calmaria. Aprendi a sorrir em cada canto em que fui viVENDO a minha vida...

2010: Um ano e tanto... meu momento de transição, minha oportunidade de transformação.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Chove em mim...



Chove em mim e a chuva me faz feliz
Chove em mim quando acordo e me recordo de tudo o que já fiz
Chove em mim - momento mágico e encantador
E toda essa chuva é meu grito de amor.

Nuvens escuras cobrem o meu céu
Para uns medo, receio
Rosto coberto com véu
Para mim, uma pausa, meu recreio

Lavar a alma, eis o momento
O esboço de um tímido sorriso
forma-se indeciso
Imóvel, flui o pensamento

Olhos vidrados, ouvidos atentos
Faça-se a chuva em mim
Desejo e alento
E que a água invada minha madrugada sem fim









quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Um poema de malas prontas...

No dia em que tive que decidir pra qual cidade eu iria, escrevi o poema abaixo. Acho que é hora de compartilhá-lo... vamos lá??

MUDANÇAS

Mudanças que tanto sonhamos
Mudanças que tanto buscamos
Mudanças que, quando alcançamos, nos amedrontam
Qual caminho escolher? Qual destino seguir?
É a sentença a assinar para o sempre
Ou para boa parte do todo.
E você o que me diz?
Ficar ou partir pra ser feliz?
Largar o que se tem, sem saber o que se vai encontrar
Largar o que já foi, para só o novo buscar
Assumir as responsabilidades das escolhas:
Um sim vale uma vida
Um não escolhe a sina
Um talvez não muda em nada a minha saga
Pensar em mim, em você, em nós
Sonhar ou viver o que se tem diante dos olhos
Minhas escolhas não mudam apenas a minha vida
O problema é saber quais delas estão envolvidas
O desafio é não deixar feridas
Por trás da escolha, há caminhos sem respostas
O sim/não só nos leva até a porta


(Meu quarto - 10 julho 2010 às 17h18)



terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Ser Professora

"Mas você vai ser professora pra ser feliz, né?" - Ao ouvir essa pergunta, eu já tinha certeza da resposta. Sim, professor não é a melhor profissão quanto a remuneração, mas é o meu destino falando mais alto.
Decidi isso aos 12 anos, em uma pequena sala onde funciona o CEL (Centro de Estudos de Línguas), na Escola Genaro Domarco - Mirassol.
Eu tinha apenas começado o curso de italiano ali e me encantei totalmente pela arte de ensinar. Era aquilo. Fiz planos, fui atrás das informações necessárias. Outros cursos até passaram pela minha cabeça, mas a ideia de ser professora de italiano falou mais alto. Eu iria conseguir!
Cabe aqui dizer que decidi Ser Professora, porque me encantei pela forma como minha professora de italiano, Flávia, ensinava.
E cá estou eu, 12 anos depois, professora de português e italiano, com orgulho, sem querer mudar de profissão.

Mas afinal, o que é Ser Professora? Assim mesmo com o P maiúsculo para dar força ao cargo.
Acredito que ser professora é viver muito mais vidas do que se pretende, é cativar e ser cativada por pessoas que você nunca pensou que conheceria.
Ser professora é se estressar, mas não aguentar muito tempo, porque a piada seguinte exige um sorriso;
É acordar com um péssimo humor, mas ouvir e ver algo que te alegra ao chegar na sala de aula;
É acordar de ÓTIMO humor e se irritar no primeiro olhar para seus alunos (ser professora é contraditório);
É dizer que não aguenta mais aqueles tais alunos e morrer de saudades deles no outro ano;
É não gostar de ser chamada de professora no meio da rua, porque na verdade se sente ainda uma aluna;
É ficar muito feliz quando algum aluno vai bem e se destaca (mesmo que ele te irrite muito, às vezes kkkk)
É ganhar uma cartinha dizendo que você é uma professora especial e se derreter toda;
É ganhar uma flor roubada quando ficou doente e achar muito lindo isso;
É ganhar festa surpresa no aniversário, mesmo depois de dar uma bronca por ninguém ter feito a tarefa...
É sentir ORGULHO da sua função no mundo e querer ser reconhecida ao desempenhá-la.

E, acima de tudo, Ser Professora é olhar ao redor, depois de um tempo, e perceber que você ajudou alguém a realizar um sonho ou até mesmo que você ajudou alguém a APRENDER A SONHAR...


Mas, Ser Professora também é fazer seus alunos pagarem mico e logo depois publicar pra todo mundo ver:







E como eu vou sentir saudades...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Alterando a pontuação e mudando o meu sentido

Pra ser sincera...
Eu sou feliz?
Eu quero ficar com você.
DESAPAREÇA!

Frases perdidas, enunciados completos e repletos de duplos sentidos. Não sabemos bem o que falar, não sabemos quando e onde encontrar o momento certo pra deixar a verdade fluir.
Mentimos com os pontos. Mentimos a nós mesmos para fingir uma independência que não existe...
Criamos mundos e sonhos que não nos levam a lugar nenhum. Deixamos a vida um pouco de lado pra imaginar o momento perfeito: você de branco, eu de vermelho (ou azul, pois essa cor fica melhor em mim); todos em volta olhando, as atenções todas em nós; um abraço, uma dança, um beijo... e mais uma vez não vivemos nem o momento do olhar.

Para resolver tudo isso, é simples, mudar a pontuação em nossa vida transforma o mundo a nosso redor.
Mudo minhas frases, mudo o meu ser, deixo de viver esse sonho tão bonito e acordo pra realidade diferente, onde

Pra ser sincera,
Eu sou feliz!
Eu quero ficar com você...
Desapareça?

Depois de mudarmos a pontuação em nossas vidas poderemos ser apenas um sonho, um desejo, um plano que nunca se realizará...

São reticências para o mundo dos sonhos, mas um ponto final na nossa realidade.

Em algum lugar além do arco-íris
Os pássaros azuis voam
E os sonhos
Que você sonhou
Se tornam realidade

Algum dia
Eu queria que uma estrela
Atendesse meu pedido
Me levando para o além das nuvens
Deixando tudo para trás
Onde os problemas derretem
 
Como balas de limão
No topo das chaminés
É onde você vai me encontrar
 
(Tradução - Somewhere over the rainbow)
 
 
 
De dentro do carro, atrás da escola, depois da chuva.